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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Novembro

Porque já é novembro...
... Sim, Luís (de Sttau Monteiro): Quero agarrar o verão, quero agarrar o verão.

sábado, 28 de julho de 2012

Por quem não esqueci

À noite, calam-se os silêncios...
... e a alma ilumina-se com um sinal de ti.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sei?


Gritando o meu silêncio na nossa voz calada...

(E o silêncio fica imenso sem você).

terça-feira, 1 de maio de 2012

Não se ama sozinho


Bem sei que “Era a Crónica de Uma Morte Anunciada” mas ia contra “A Ordem Natural das Coisas” e, por isso, estava “À Espera de um Milagre”, alimentando-me de “Grandes Esperanças”. Eu pedia-te: “Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura” mas tu… tu “Morreste-me”; não podias… tu “Fazes-me Falta”!...

Fiquei à “Deriva” e fugi rumo àquela “Montanha Mágica”, para um “Exílio Perturbado”, onde cultivei “As Vinhas da Ira”. Lá seríamos apenas nós dois, dois “Corações em Silêncio” porque “Quem Ama Acredita” e eu queria ficar a sós com “Um Amor Para Recordar”. Meu Deus, não existe “Nenhum Olhar” como o teu!
Quis apenas “Viver Para Contar” a nossa história e escrever as “Páginas do Livro do Desassossego”. Talvez o descrevam, um dia, como “O Manuscrito de um Louco e Outras Histórias” porque comecei de facto a ensandecer. Por vezes perguntava: “Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?” e ficava à espera pel’ “A Explicação dos Pássaros”… continuando assim “Eu Hei-de Amar Uma Pedra”…

(… não sei “Por Quem os Sinos Dobram” porque “Do Outro Lado do Rio e Entre as Árvores” “O Sol Também Se Levanta” mas é de lá que oiço “A Balada da Praia dos Cães” e me embalo com as “Canções da Inocência/ Canções do Exílio”…)

Passaram-se anos? Quantos? Não sei? Pel’ “A Soma dos Dias” talvez “Cem Anos de Solidão”. Sei que estou perto do meu “Adeus às Armas”. Mas quando partir gostaria que nos recordassem… a ti…como “A Menina que Roubava Gargalhadas” e a mim… como “ O Velho Que Lia Romances de Amor”.
Fev/2010


Mike Fay in Minkebe Forest, Congo, 2000
PHOTOGRAPH BY MICHAEL NICHOLS


quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Apito do Comboio

Era um final de tarde igual a tantos outros finais de tarde.
Lá longe, escuto o apito do comboio que transportará, para os subúrbios, homens e mulheres que trabalham aqui na capital.
Olho para dois idosos que jogam uma partida de xadrez numa mesa deste jardim.
Eles, imóveis, pensam na próxima jogada a executar… fiquei como eles… estático… a pensar…

Rei
Serei eu seu rei? O alvo… o objectivo… o objecto do seu desejo? A peça – chave do seu jogo? O verdadeiro soberano do seu coração?

Bispo
Serei seu confessor, confidente, ouvinte? O pastor da sua doce alma? A peça que fielmente se coloca ao seu lado?

Torre
Sim. Gostaria de ser como uma torre. Ser a fortaleza que a protege; a muralha onde ela se sentirá sempre segura. Alto e Forte. O monumento que ela admirará fascinada.

Cavalo
Poderia ser seu cavalo, branco e majestoso. E poder levá-la a passear pelos prados e pradarias do nosso contentamento…

Peão
"Tu não passas de um mero peão. És mais um entre muitos outros. Serás movimentado ao seu bel-prazer. Serás colocado estrategicamente onde ela quiser te colocar e serás sacrificado assim que ela não precisar de ti. Tu és um Zé-Ninguém."

Naquele final de tarde ao escutar o comboio que lá longe apitava para levar para os subúrbios o homem e a mulher que trabalham na grande cidade apercebi-me o quanto eu era pequeno.
Naquele final de tarde, compreendi que tardei a compreender o que obviamente era óbvio: Não sou nem serei de facto o rei para aquela Rainha.
Yellow McGregor, Novembro de 2009
 
 

Imagem de autor desconhecido retirada da net.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Fragmentos

Apanhou a beata acesa do chão, deu uma passa e pendurou-se no eléctrico que haveria de cruzar as colinas de Lisboa para o levar até ao seu trabalho. Manuel tinha doze anos e calçava uns sapatos dois números acima do seu. Era uma fortuna poder proteger agora os seus pés que em muitos invernos descalços atravessaram a serra de Arga para que na escola primária comum conseguisse tirar a 4ª classe que Deus tem.

Chegado à taberna, onde labutava, serviu o vinho morangueiro em malgas – tal e qual como no seu berde Minho – aos clientes provindos na maioria da sua aldeia natal. O ambiente da tasca tresandava a carapaus de escabeche de há três dias e os ovos cozidos trajados de vermelho equilibravam-se em pé como soldados numa parada feita de sal sem qualquer segredo de Colombo. Naquele dia, porém, teve um bafejo de sorte porque um par de “bifes” entrara no estabelecimento e conseguiu cobrar o dobro dos tostões que valiam as sandes de presunto e as duas garrafas de laranjada: no final do mês, já podia mandar mais qualquer coisita à sua mãezinha.

Esta é parte da infância que o Manuel nunca teve.
Esta é parte da história duma infância que Manuel nunca alimentou.
Fazem-me falta todas as histórias que nunca ouvi…
 
Yellow Mcgregor Jul2010
 
Imagem de autor desconhecido retirada da net. Créditos inscritos na própria imagem (?).

Flower in spring

Love breaks the wings of a butterfly on a wheel...
... Love will heal the wings of a butterfly on a wheel.