Apenas o silêncio.
domingo, 4 de novembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
sábado, 28 de julho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
Não se ama sozinho
Bem sei que “Era a Crónica de Uma Morte Anunciada” mas ia contra “A Ordem Natural das Coisas” e, por isso, estava “À Espera de um Milagre”, alimentando-me de “Grandes Esperanças”. Eu pedia-te: “Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura” mas tu… tu “Morreste-me”; não podias… tu “Fazes-me Falta”!...
Fiquei à “Deriva” e fugi rumo àquela “Montanha Mágica”, para um “Exílio Perturbado”, onde cultivei “As Vinhas da Ira”. Lá seríamos apenas nós dois, dois “Corações em Silêncio” porque “Quem Ama Acredita” e eu queria ficar a sós com “Um Amor Para Recordar”. Meu Deus, não existe “Nenhum Olhar” como o teu!
Quis apenas “Viver Para Contar” a nossa história e escrever as “Páginas do Livro do Desassossego”. Talvez o descrevam, um dia, como “O Manuscrito de um Louco e Outras Histórias” porque comecei de facto a ensandecer. Por vezes perguntava: “Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?” e ficava à espera pel’ “A Explicação dos Pássaros”… continuando assim “Eu Hei-de Amar Uma Pedra”…
(… não sei “Por Quem os Sinos Dobram” porque “Do Outro Lado do Rio e Entre as Árvores” “O Sol Também Se Levanta” mas é de lá que oiço “A Balada da Praia dos Cães” e me embalo com as “Canções da Inocência/ Canções do Exílio”…)
Passaram-se anos? Quantos? Não sei? Pel’ “A Soma dos Dias” talvez “Cem Anos de Solidão”. Sei que estou perto do meu “Adeus às Armas”. Mas quando partir gostaria que nos recordassem… a ti…como “A Menina que Roubava Gargalhadas” e a mim… como “ O Velho Que Lia Romances de Amor”.
Fev/2010
quinta-feira, 19 de abril de 2012
O Apito do Comboio
Era um final de tarde igual a tantos outros finais de tarde.
Lá longe, escuto o apito do comboio que transportará, para os subúrbios, homens e mulheres que trabalham aqui na capital.
Olho para dois idosos que jogam uma partida de xadrez numa mesa deste jardim.
Eles, imóveis, pensam na próxima jogada a executar… fiquei como eles… estático… a pensar…
Rei
Serei eu seu rei? O alvo… o objectivo… o objecto do seu desejo? A peça – chave do seu jogo? O verdadeiro soberano do seu coração?
Bispo
Serei seu confessor, confidente, ouvinte? O pastor da sua doce alma? A peça que fielmente se coloca ao seu lado?
Torre
Sim. Gostaria de ser como uma torre. Ser a fortaleza que a protege; a muralha onde ela se sentirá sempre segura. Alto e Forte. O monumento que ela admirará fascinada.
Cavalo
Poderia ser seu cavalo, branco e majestoso. E poder levá-la a passear pelos prados e pradarias do nosso contentamento…

Imagem de autor desconhecido retirada da net.
Peão
"Tu não passas de um mero peão. És mais um entre muitos outros. Serás movimentado ao seu bel-prazer. Serás colocado estrategicamente onde ela quiser te colocar e serás sacrificado assim que ela não precisar de ti. Tu és um Zé-Ninguém."
Naquele final de tarde ao escutar o comboio que lá longe apitava para levar para os subúrbios o homem e a mulher que trabalham na grande cidade apercebi-me o quanto eu era pequeno.
Naquele final de tarde, compreendi que tardei a compreender o que obviamente era óbvio: Não sou nem serei de facto o rei para aquela Rainha.
Yellow McGregor, Novembro de 2009

Imagem de autor desconhecido retirada da net.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Fragmentos
Apanhou a beata acesa do chão, deu uma passa e pendurou-se no eléctrico que haveria de cruzar as colinas de Lisboa para o levar até ao seu trabalho. Manuel tinha doze anos e calçava uns sapatos dois números acima do seu. Era uma fortuna poder proteger agora os seus pés que em muitos invernos descalços atravessaram a serra de Arga para que na escola primária comum conseguisse tirar a 4ª classe que Deus tem.
Chegado à taberna, onde labutava, serviu o vinho morangueiro em malgas – tal e qual como no seu berde Minho – aos clientes provindos na maioria da sua aldeia natal. O ambiente da tasca tresandava a carapaus de escabeche de há três dias e os ovos cozidos trajados de vermelho equilibravam-se em pé como soldados numa parada feita de sal sem qualquer segredo de Colombo. Naquele dia, porém, teve um bafejo de sorte porque um par de “bifes” entrara no estabelecimento e conseguiu cobrar o dobro dos tostões que valiam as sandes de presunto e as duas garrafas de laranjada: no final do mês, já podia mandar mais qualquer coisita à sua mãezinha.
Esta é parte da infância que o Manuel nunca teve.
Esta é parte da história duma infância que Manuel nunca alimentou.
Fazem-me falta todas as histórias que nunca ouvi…
Chegado à taberna, onde labutava, serviu o vinho morangueiro em malgas – tal e qual como no seu berde Minho – aos clientes provindos na maioria da sua aldeia natal. O ambiente da tasca tresandava a carapaus de escabeche de há três dias e os ovos cozidos trajados de vermelho equilibravam-se em pé como soldados numa parada feita de sal sem qualquer segredo de Colombo. Naquele dia, porém, teve um bafejo de sorte porque um par de “bifes” entrara no estabelecimento e conseguiu cobrar o dobro dos tostões que valiam as sandes de presunto e as duas garrafas de laranjada: no final do mês, já podia mandar mais qualquer coisita à sua mãezinha.
Esta é parte da infância que o Manuel nunca teve.
Esta é parte da história duma infância que Manuel nunca alimentou.
Fazem-me falta todas as histórias que nunca ouvi…
Yellow Mcgregor Jul2010
Imagem de autor desconhecido retirada da net. Créditos inscritos na própria imagem (?).
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