Imagem de autor desconhecido, retirada da net.
Com um aperto no coração direi que uma história assim tão bonita não pode ter acabado hoje! Certamente perdurará numa outra dimensão, num outro patamar:
« Um conto baseado em factos reais e familiares e nem os nomes poderia manter sob privacidade…
- “Merda!...”
Deu um salto da cama e num virote começou-se a vestir. - “Tenho que me ir já embora. Tenho que ir ter com a minha Deolinda.”
- “Mas Joaquim…”
- “Deixa-te de “mas”, mulher. Tenho mesmo que ir.”
O seu ar era de pura consternação. Como podia estar ali àquela hora?! Mas… e que horas seriam?! Um suor nervoso escorria pelas rugas que lhe talhavam a cara. – “Desculpa, mas tenho a minha Deolinda à minha espera.” - A dupla recorrência à locução “minha” não era em vão: a Deolinda era a sua vida… toda a expressão da sua vida.
- “Oh Joaquim, não vês que…”
Mas Joaquim já não via nada… melhor, ele só via a imagem da sua doce Deolinda. Apesar de ambos já terem entrado no Outono da vida, o tempo não fora impiedoso: ainda mantinham a beleza com que foram agraciados enquanto jovens.
- “Tenho mesmo que ir. Tenho que ir para a minha casa ter com a minha Deolinda.” - E cada vez que pronunciava no nome dela um brilho especial acendia-se naqueles bonitos olhos azuis.
- “Mas, querido, esta é a tua casa e eu sou a tua Deolinda, amor!...”
Uma lágrima começou a escorrer pela face daquela mulher. Este episódio tornara-se recorrente. Passou-se uma vida inteira e, apesar daquela maldita doença (leia-se Alzheimer), o seu marido ainda mantinha a chama que sempre abençoara aquela união e, assim, um misto de tristeza e felicidade temperou aquela gota que lhe procurava lavar a alma.» ( YellowMcGregor OUT2009)





