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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Noites de Pompeia



    Antes de chegados "Os Últimos Dias de Pompeia", viveram-se noites de Amor e de Sedução...

Beijo-te…
   Quero-te…
      Sentir-te…
         Tomei-te…
             Tocar-te…
                Explorar-te…
                    Entregar-me …
                         Libertar-te…


e assim recordo aquelas que foram as loucas “Noites de Pompeia


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Como vai você?




Eu… vou bem…
Obrigado por perguntar…
Mesmo quando anoitece
Consigo me suportar
Porque ninguém está só
Quando se tem alguém para recordar.
O tempo vai passando, bem sei,
Marcando a larga distância,
Entre nós dois,
Talvez,
Para nunca haver um depois.

Mas

Eu…
Queria poder sonhar agora,
Aprisionar a noite numa hora,
Sem nunca mais acordar…

Eu,
Queria poder sonhar agora.
Partir contigo pelo mundo fora
Sem nunca mais (querer) voltar.


Eu e você.

Yellow McGregor 6Janeiro2014

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Olha, um bom ano!


                                     Imagem de autor desconhecido, retirada da net.

    Sempre existiram filhos e enteados, a gata borralheira, o patinho feio. E até o irmão do filho pródigo, coitado, mais um pobre desafortunado das estórias que nos contam.
    De facto, ele há quem deseje um bom-dia, um excelente ano ou, pura simplesmente, uma boa semana de trabalho. E não há mudança de século - para não falar de milénio - que não se comemore. Mas… e o mês? Bem se pode esticar ou encolher que ninguém lhe liga: não há festinha nem votos de bem-aventuranças.
    Confesso que foi necessário passar algumas décadas por mim para que eu reparasse nisso. Décadas… olha, outra. Essa também é uma filha da… quela senhora que ninguém liga. Tssst. Coisas.

 Y McG, 2Jan2012

UM BOM MÊS DE JANEIRO PARA TODOS VÓS E... JÁ AGORA, UM BOM 2014 :-)


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Merry Christmas


Tantos desejos e promessas se fazem nesta quadra festiva. Talvez bastassem os mais simples gestos e comportamentos.

Merry Christmas and Don't Fight Tonight
 :-)


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Promessa

                                Pendennis Castle, Falmouth, Cornwall

A aproximação foi feita à bolina cerrada e o vento ameaçava romper cada vez mais as velas sujas e gastas do veleiro enquanto lá no alto, planando num céu coberto e cinzento, um bando de gaivotas recebeu aquele navegador solitário com um coro ensurdecedor confirmando, assim, o temporal que se adivinhava.
Passada a última espia para a terra, John saltou de imediato para o cais, afundou o seu velho boné de marinheiro na cabeça e de passos largos subiu pela Arwenack Street. Pelo caminho, com destino certo, parou no pub do velho Sam  que, logo quando o viu, exclamou:
- Amigo John, bons e agrestes ventos te trouxeram de volta! Quanto tempo se passou? Quatro, cinco anos?...
- Quatro anos, sete meses e dezoito dias, para ser mais preciso - respondeu, embora estivesse sem vontade alguma para conversar. Enquanto bebia sofregamente a Guinness, confidenciou que iria até ao castelo Pendennis.
- Ninguém deve estar por lá, homem de Deus. Já viste o mau tempo que se está a pôr?
Mas John sabia que ele estava enganado. Alguém estaria lá à sua espera. Saiu do pub, cruzou as ruas de Falmouth, subiu pela Castle Drive e ao chegar lá ao topo, o longo e enorme tapete de relva verde parecia estender-se para o receber. Ao fundo, perto do castelo, vislumbrou as costas de uma delicada figura feminina, sentada numa manta alva, com uns longos cabelos ruivos a esvoaçarem ao vento. Quando se aproximou, ela virou-se e acolheu-o com um largo sorriso desenhado numa face bonita e levemente sardenta:
- Eu sabia que voltarias!
-Claro que sim, Pat. A viagem foi longa mas passei por todos os locais que ilustraram as histórias que te contei quando eras mais pequena: As ilhas de Galápagos, Madagáscar, os mares das Caraíbas…
- Então essa argola de ouro que estás a usar na orelha esquerda…
- Sim, Pat, como na história do Edward, o pirata, também eu passei pelo cabo Horn à vela. Atlântico para o Pacífico, obviamente. Vês esta cicatriz aqui? Ganhei-a numa disputa, há dois anos.
E embora o seu rosto revelasse um forte cansaço, não deixou de contar, animada e pormenorizadamente, todas as suas façanhas destes últimos anos. A tarde, entretanto, ia longa e as primeiras gotas começavam a cair.
- Papá, tu és um homem de palavra. Vem!
Levantaram-se ambos e caminharam serenamente, lado a lado, em silêncio. Chegados à beira da característica encosta alta e escarpada da Cornualha, John abriu os braços e, sem hesitação, mergulhou naqueles aguçados rochedos que violentamente o acolheram.

Finalmente poderia repousar em paz, junto da sua doce e saudosa princesa.

Yellow McGregor, NOV2009


domingo, 8 de dezembro de 2013

Medo de amar.




Perdoa-me porque quase te amei aqui.
Teu mundo, nosso mundo,
Não pode ser um lugar imundo;
Um lugar qualquer.
Teu lugar é meu lugar.
Teu amanhecer, meu madrugar.
Não basta pois apaixonar
Há que criar:
O teu lugar, o nosso lugar.
Crio pois um poema para ti
E perdoa-me…
Porque quase te amei aqui.


(Yellow Mcgregor Jun2012)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A minha Deolinda


                                  Imagem de autor desconhecido, retirada da net.


Com um aperto no coração direi que uma história assim tão bonita não pode ter acabado hoje! Certamente perdurará numa outra dimensão, num outro patamar:


« Um conto baseado em factos reais e familiares e nem os nomes poderia manter sob privacidade…

- “Merda!...”
Deu um salto da cama e num virote começou-se a vestir. - “Tenho que me ir já embora. Tenho que ir ter com a minha Deolinda.”
- “Mas Joaquim…”
- “Deixa-te de “mas”, mulher. Tenho mesmo que ir.”
O seu ar era de pura consternação. Como podia estar ali àquela hora?! Mas… e que horas seriam?! Um suor nervoso escorria pelas rugas que lhe talhavam a cara. – “Desculpa, mas tenho a minha Deolinda à minha espera.” - A dupla recorrência à locução “minha” não era em vão: a Deolinda era a sua vida… toda a expressão da sua vida.
- “Oh Joaquim, não vês que…”
Mas Joaquim já não via nada… melhor, ele só via a imagem da sua doce Deolinda. Apesar de ambos já terem entrado no Outono da vida, o tempo não fora impiedoso: ainda mantinham a beleza com que foram agraciados enquanto jovens.
- “Tenho mesmo que ir. Tenho que ir para a minha casa ter com a minha Deolinda.” - E cada vez que pronunciava no nome dela um brilho especial acendia-se naqueles bonitos olhos azuis.
- “Mas, querido, esta é a tua casa e eu sou a tua Deolinda, amor!...”
Uma lágrima começou a escorrer pela face daquela mulher. Este episódio tornara-se recorrente. Passou-se uma vida inteira e, apesar daquela maldita doença (leia-se Alzheimer), o seu marido ainda mantinha a chama que sempre abençoara aquela união e, assim, um misto de tristeza e felicidade temperou aquela gota que lhe procurava lavar a alma.» ( YellowMcGregor OUT2009)

sábado, 30 de novembro de 2013

Sempre

                                Imagem de autor desconhecido, retirada da net.


Ei, onde tens estado?
Para além do meu pensamento,
Para lá do meu passado.
Tu sabes, sempre soubeste,
Não é uma questão de tempo
(Ele nem sequer está do nosso lado).

Ei, não fiques aí parado (a),
Vem, dá-me um abraço
E diz-me, mesmo que calado (a):
Que o aqui, presente, agora
É apenas um interlúdio
Para um sempre viver afora.

Ei, onde tens estado?
Para além do meu pensamento,
Para lá do meu passado.


Yellow McGregor, 30Nov2013

sábado, 26 de outubro de 2013

Palavras


                               Imagem de autor desconhecido, retirada da net.

Tantas palavras preparadas
Alinhadas
Prontas a declarar
Mas envergonhadas
Teimam em ficar caladas
Tantas palavras perdidas
Escondidas
Reprimidas
Que se pelam para serem ouvidas
Enlouquecidas
Tantas palavras guardadas
Desperdiçadas
Palavras apaixonadas
Enternecidas
Mas que acabarão esquecidas
Tantas, tantas palavras

Yellow McGregor, OUT2013

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vida

Miguel Esteves Cardoso


    Estas palavras - entre outras que escreveu na altura - nasceram certamente por entre lágrimas, choradas ou só sentidas, demonstrando inequivocamente que somos pequeninos demais nesta vida, por entre a qual, nos encontramos de passagem.
   No meu dia-a-dia não profiro o “vernáculo” muitas vezes usado e abusado pelo MEC. Não faz parte do meu léxico. Fica mal na maioria das vezes, na maioria das pessoas. Com o MEC é diferente. Ganha outro encanto. Como o compreendo. O “Amor é Fodido”. E tal como ele disse, aquando do lançamento do seu último livro:
"A vida é má e imprevisível. É uma puta e não se percebe o critério, mas ao mesmo tempo é linda". 
Bem verdade! … 'Como é Linda a Puta da Vida'!


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Saudade



Foto minha


Um dia, ela partiu. Num pretérito que se queria imperfeito.

Resta-me conjugar
No presente e para sempre futuro
O verbo Saudade

terça-feira, 4 de junho de 2013

Se...


Poderia
    Deveria
        Como seria?


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Um Grão de Areia

Imagem de autor desconhecido, retirada da net.


Um dia destes fui à praia. Enquanto caminhava de pés descalços sobre a areia, reencontrei um grão com que brincava quando criança.

Agachei-me.

Havia lá muitos grãos de areia. Uns mais translúcidos, outros mais dourados, uns mais pequenos e outros de tamanho de calhau menor. Mas eu sabia que era precisamente aquele o grão com que eu brincava. Também ele me reconheceu. Recordou-se daquela criança envergonhada e naif que era capaz de passar tardes inteiras entretido a observar as formigas na varanda da sua casa – “só as pretas. As vermelhas, não! São más.” – sem que os seus pais se recordassem da sua condição de pais.

Rejubilei. O grão de areia lembrava-se das estradas que eu construí, as pontes que ergui, os castelos que criei… inclusivamente aquela vez que com ele finalizei, inocentemente, o seio disfarçado de concha, duma sereia feita de areia molhada….

Peguei nele, fixei-lhe o meu olhar e chorei… eu já não sabia como brincar com aquele grão de areia!...  
Yellow McGregor, Oct2009

sábado, 5 de janeiro de 2013

Gosto muito de ti


Gosto muito de ti!

A espera estava a ser longa. Já tinha examinado cirurgicamente cada pormenor da arte sacra ali exposta enquanto ansiava por ti junto ao altar-mor daquela antiga capela onde sempre sonharas casar. Como estarás tu hoje? Como será o teu vestido, o teu véu? São coisas de somenos, bem sei, mas os nervos que se apossaram de mim conduziram-me para detalhes que outrora negligenciava. Importante agora era saber quando tu chegarias. E se tivesses mudado de ideias?

Gosto muito de ti!

De repente, um frenesim espevitou os presentes e um sussurro crescente varreu de ponta a ponta aquele local sagrado.

Ao rufar do meu coração rompeste resplandecente o clarão etéreo que me ofuscava. Quando os reflexos do sol pararam de me encandear consegui visualizar-te em todo o teu esplendor. Estavas linda ali à porta. Linda como sempre! Pouco a pouco, de passo curto, caminhavas na minha direcção. Passos leves, passos graciosos, como que passeando sobre nuvens. Vinhas só. O teu pai falecera poucos anos antes e eu sei o quão doloroso está a ser para ti não o ter ali ao teu lado, de braço dado. Talvez por isso, uma pequena e fina lágrima escorre-te pelo rosto, embora impotente para abalar a beleza e a quietude do teu rosto.

Gosto muito de ti!


Terei sido trucidado pela emoção mas realmente a cerimónia esgotou-se num simples estalar de dedos. E era isso que eu precisava também: dum estalar de dedos que me certificasse que não estava a sonhar.

Chegou, então, o momento das fotos:
- "Agora só os noivos. Os pais e padrinhos que se afastem". - Retirei-me mecanicamente como soldado disciplinado à voz do general das películas.

(Gosto muito de ti! Mas… eu não te amo… Consegues compreender? Só que eu… eu não queria perder a tua amizade. Nunca!).

… A festa já ia longa. Na pista de dança improvisada arrastavam-se, ainda, meia dúzia de casais. Saí e fui até ao alpendre para fumar o puro oferecido pelo noivo enquanto lá dentro a banda contratada se entretinha a assassinar a canção dos Per7ume com a participação do Rui (Veloso):

"… a foto onde eu nãooooo eentrei…"

Yellow McGregor, Dezembro de 2009

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Natal

E, porém, naquele domingo aconteceu. Mataram o Pai Natal!

Sem dó nem compaixão, fuzilado por uma homilia inesperada, aquele bondoso homem foi liminarmente exterminado pelo presbítero e, com ele, todos os inofensivos sonhos e doce magia que dão cor a esta quadra.

Assim foi. Abandonado o ambão, onde professou as indulgentes palavras do evangelho, sentenciava:

“… pois o pai natal não existe…”!!!

Perguntei-me como poderia ser possível… Bastava simplesmente expulsar os vendilhões do templo, porque nem tudo é eivado pelo espírito mercantilista.

Mas não. Embora ordenado em tão canónico cargo ignorou, com despudor, um dos frutos do Monte Horeb: o quinto preceito do Decálogo.

- “Não matarás”!

(… valha-nos, agora, o Coelhinho da Páscoa e a Fada dos Dentes).

Imagem de autor desconhecido, retirada da net.

domingo, 4 de novembro de 2012

(...)

Apenas o silêncio.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Novembro

Porque já é novembro...
... Sim, Luís (de Sttau Monteiro): Quero agarrar o verão, quero agarrar o verão.

sábado, 28 de julho de 2012

Por quem não esqueci

À noite, calam-se os silêncios...
... e a alma ilumina-se com um sinal de ti.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sei?


Gritando o meu silêncio na nossa voz calada...

(E o silêncio fica imenso sem você).

terça-feira, 1 de maio de 2012

Não se ama sozinho


Bem sei que “Era a Crónica de Uma Morte Anunciada” mas ia contra “A Ordem Natural das Coisas” e, por isso, estava “À Espera de um Milagre”, alimentando-me de “Grandes Esperanças”. Eu pedia-te: “Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura” mas tu… tu “Morreste-me”; não podias… tu “Fazes-me Falta”!...

Fiquei à “Deriva” e fugi rumo àquela “Montanha Mágica”, para um “Exílio Perturbado”, onde cultivei “As Vinhas da Ira”. Lá seríamos apenas nós dois, dois “Corações em Silêncio” porque “Quem Ama Acredita” e eu queria ficar a sós com “Um Amor Para Recordar”. Meu Deus, não existe “Nenhum Olhar” como o teu!
Quis apenas “Viver Para Contar” a nossa história e escrever as “Páginas do Livro do Desassossego”. Talvez o descrevam, um dia, como “O Manuscrito de um Louco e Outras Histórias” porque comecei de facto a ensandecer. Por vezes perguntava: “Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?” e ficava à espera pel’ “A Explicação dos Pássaros”… continuando assim “Eu Hei-de Amar Uma Pedra”…

(… não sei “Por Quem os Sinos Dobram” porque “Do Outro Lado do Rio e Entre as Árvores” “O Sol Também Se Levanta” mas é de lá que oiço “A Balada da Praia dos Cães” e me embalo com as “Canções da Inocência/ Canções do Exílio”…)

Passaram-se anos? Quantos? Não sei? Pel’ “A Soma dos Dias” talvez “Cem Anos de Solidão”. Sei que estou perto do meu “Adeus às Armas”. Mas quando partir gostaria que nos recordassem… a ti…como “A Menina que Roubava Gargalhadas” e a mim… como “ O Velho Que Lia Romances de Amor”.
Fev/2010


Mike Fay in Minkebe Forest, Congo, 2000
PHOTOGRAPH BY MICHAEL NICHOLS