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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

I Don't Want To Talk About It



Puxei a manga e segurei-a com a mão, cravando nela a ponta dos dedos. Depois de bafejar, comecei então a puxar o lustro, esfregando com vigor, em movimentos circulatórios.

Não resultou.

Tentei, depois, polir, afagar, aplainar mas nada resultou.

O coração continua riscado, cheio de cicatrizes. 


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Noites de Pompeia



    Antes de chegados "Os Últimos Dias de Pompeia", viveram-se noites de Amor e de Sedução...

Beijo-te…
   Quero-te…
      Sentir-te…
         Tomei-te…
             Tocar-te…
                Explorar-te…
                    Entregar-me …
                         Libertar-te…


e assim recordo aquelas que foram as loucas “Noites de Pompeia


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Como vai você?




Eu… vou bem…
Obrigado por perguntar…
Mesmo quando anoitece
Consigo me suportar
Porque ninguém está só
Quando se tem alguém para recordar.
O tempo vai passando, bem sei,
Marcando a larga distância,
Entre nós dois,
Talvez,
Para nunca haver um depois.

Mas

Eu…
Queria poder sonhar agora,
Aprisionar a noite numa hora,
Sem nunca mais acordar…

Eu,
Queria poder sonhar agora.
Partir contigo pelo mundo fora
Sem nunca mais (querer) voltar.


Eu e você.

Yellow McGregor 6Janeiro2014

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Olha, um bom ano!


                                     Imagem de autor desconhecido, retirada da net.

    Sempre existiram filhos e enteados, a gata borralheira, o patinho feio. E até o irmão do filho pródigo, coitado, mais um pobre desafortunado das estórias que nos contam.
    De facto, ele há quem deseje um bom-dia, um excelente ano ou, pura simplesmente, uma boa semana de trabalho. E não há mudança de século - para não falar de milénio - que não se comemore. Mas… e o mês? Bem se pode esticar ou encolher que ninguém lhe liga: não há festinha nem votos de bem-aventuranças.
    Confesso que foi necessário passar algumas décadas por mim para que eu reparasse nisso. Décadas… olha, outra. Essa também é uma filha da… quela senhora que ninguém liga. Tssst. Coisas.

 Y McG, 2Jan2012

UM BOM MÊS DE JANEIRO PARA TODOS VÓS E... JÁ AGORA, UM BOM 2014 :-)


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Merry Christmas


Tantos desejos e promessas se fazem nesta quadra festiva. Talvez bastassem os mais simples gestos e comportamentos.

Merry Christmas and Don't Fight Tonight
 :-)


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Promessa

                                Pendennis Castle, Falmouth, Cornwall

A aproximação foi feita à bolina cerrada e o vento ameaçava romper cada vez mais as velas sujas e gastas do veleiro enquanto lá no alto, planando num céu coberto e cinzento, um bando de gaivotas recebeu aquele navegador solitário com um coro ensurdecedor confirmando, assim, o temporal que se adivinhava.
Passada a última espia para a terra, John saltou de imediato para o cais, afundou o seu velho boné de marinheiro na cabeça e de passos largos subiu pela Arwenack Street. Pelo caminho, com destino certo, parou no pub do velho Sam  que, logo quando o viu, exclamou:
- Amigo John, bons e agrestes ventos te trouxeram de volta! Quanto tempo se passou? Quatro, cinco anos?...
- Quatro anos, sete meses e dezoito dias, para ser mais preciso - respondeu, embora estivesse sem vontade alguma para conversar. Enquanto bebia sofregamente a Guinness, confidenciou que iria até ao castelo Pendennis.
- Ninguém deve estar por lá, homem de Deus. Já viste o mau tempo que se está a pôr?
Mas John sabia que ele estava enganado. Alguém estaria lá à sua espera. Saiu do pub, cruzou as ruas de Falmouth, subiu pela Castle Drive e ao chegar lá ao topo, o longo e enorme tapete de relva verde parecia estender-se para o receber. Ao fundo, perto do castelo, vislumbrou as costas de uma delicada figura feminina, sentada numa manta alva, com uns longos cabelos ruivos a esvoaçarem ao vento. Quando se aproximou, ela virou-se e acolheu-o com um largo sorriso desenhado numa face bonita e levemente sardenta:
- Eu sabia que voltarias!
-Claro que sim, Pat. A viagem foi longa mas passei por todos os locais que ilustraram as histórias que te contei quando eras mais pequena: As ilhas de Galápagos, Madagáscar, os mares das Caraíbas…
- Então essa argola de ouro que estás a usar na orelha esquerda…
- Sim, Pat, como na história do Edward, o pirata, também eu passei pelo cabo Horn à vela. Atlântico para o Pacífico, obviamente. Vês esta cicatriz aqui? Ganhei-a numa disputa, há dois anos.
E embora o seu rosto revelasse um forte cansaço, não deixou de contar, animada e pormenorizadamente, todas as suas façanhas destes últimos anos. A tarde, entretanto, ia longa e as primeiras gotas começavam a cair.
- Papá, tu és um homem de palavra. Vem!
Levantaram-se ambos e caminharam serenamente, lado a lado, em silêncio. Chegados à beira da característica encosta alta e escarpada da Cornualha, John abriu os braços e, sem hesitação, mergulhou naqueles aguçados rochedos que violentamente o acolheram.

Finalmente poderia repousar em paz, junto da sua doce e saudosa princesa.

Yellow McGregor, NOV2009


domingo, 8 de dezembro de 2013

Medo de amar.




Perdoa-me porque quase te amei aqui.
Teu mundo, nosso mundo,
Não pode ser um lugar imundo;
Um lugar qualquer.
Teu lugar é meu lugar.
Teu amanhecer, meu madrugar.
Não basta pois apaixonar
Há que criar:
O teu lugar, o nosso lugar.
Crio pois um poema para ti
E perdoa-me…
Porque quase te amei aqui.


(Yellow Mcgregor Jun2012)