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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Acto de Contrição

(Imagem de autor desconhecido, retirada da net)

Sara não queria acreditar naquilo que lhe tinha acontecido. Sentia-se tão "suja"… "tenho… que… me limpar!... Meu Deus, que nojo! Como… foi possível!..." Enquanto soluçava angustiada, ia-se esfregando energicamente com uma escova dura e áspera… Toda ela era força e desespero. Sentada na banheira, a água do chuveiro escorria-lhe pelo rosto arrastando as lágrimas que incessantemente deitava. O charco, onde começava a ficar mergulhada, turvava com os laivos de sangue que se escapava por entre os seus finos dedos.

"Não… NÃO!..." – gritava atormentada. No baixo-ventre, as suas mãos trémulas esfregava, esfregava, esfregava… num vaivém constante, revelando uma assustadora carne viva por entre os seus ralos e recortados pêlos púbicos.

Mil imagens passadas relampejavam pela sua martirizada mente ilustrando o dia em que o conhecera, o reflexo do seu rosto de prazer sádico e o preciso momento em que ele a levou àquele lugar recôndito para perpetuar aquele acto tão imundo …

Sara não tinha sido violada… pelo menos não fisicamente. Mas como apagar a tatuagem, na virilha, com o nome daquele que acabara de saber que a tinha traído com a sua melhor amiga?! ...


Yellow McGregor, 31OUT2009



UM FELIZ S. VALENTIM PARA AMANHÃ. MAS, JÁ SABEM, NÃO COMEMOREM COM TATUAGENS :-)