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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mesmo que distante

Apesar de ser uma reprise (já o tinha "postado" no O. G. Árctico), não me canso de ler este belo poema de O. Montenegro.Vejo nele as minhas Palavras e os meus Silêncios...



"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente
Complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... Também."

4 comentários:

  1. Lindo...um poema-prosa...sem rima :-)
    Tinhas razão, "prontos", é lindo :-D
    Jinho grande

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  2. "Prontos"... eu sabia lol
    Gosto de o ler "palavra a palavra", intervalando com os meus silêncios.

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  3. Há dias em que as palavras teimam em não sair... Não sei se por medo de rejeição, se por medo de não serem devidamente compreendidas...
    E algo me chamou até aqui.... e revejo neste poema tudo o que queria dizer....
    Amei... Lindo mesmo...
    Porque metade de mim é o que grito, mas a outra metade é o que calo...
    Obrigada...
    Talvez precisasse de chorar para aliviar um pouco a alma, e talvez este poema tenha tocado no fundo do meu coração...
    Jinhos doces no teu coração

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  4. Fizeste-me chorar..

    1 beijinho

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