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domingo, 30 de março de 2014

Não vou esquecer.

As cadeiras de plástico, as raparigas, os homens, os príncipes, as gravatas e as nódoas que gritam.
Os lenços e as perucas e as mulheres e as plantas e as revistas e os olhos que gritam.
E nós gritamos em silêncio, basta!
Calem-se!
Defendemo-nos na arrogância porque não, não entendemos, nós não fazemos parte daquelas cadeiras de plástico, raparigas, homens, príncipes, gravatas, nódoas, lenços e perucas e mulheres e plantas e revistas e olhos que gritam.
Só pode ser engano: nem nós, nem aqueles que nos são próximos fazem parte daquelas cadeiras de plástico e raparigas e homens e príncipes e gravatas e nódoas e lenços e perucas e mulheres e plantas e revistas e olhos que gritam.


Até que damos conta que aquelas cadeiras de plástico ali estão... sentamo-nos, pegamos numa revista e aguardamos. Num silêncio que nos grita.


 

4 comentários:

  1. Há coisas que não se consegue esquecer, mesmo que fique bem guardado lá no fundinho, quando algo faz despoletar, vem tudo ao de cima.

    ;)

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  2. Jamais se esquecem esses gritos.
    Só o tempo e a memória é que apaziguam essa voz silenciosa.
    Porque podemos não esquecer mas podemos não lembrar.

    Beijocas :)

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  3. Obrigada... sinto me tao assim... e alguem sente como eu...magnifico...
    Vou ter que partilhar...
    Partilhar ate que as pessoas percebam...o quanto somos ignorantes.
    Beijos doces no teu coracao

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